2.º Passeio-Convívio... de muitos outros que virão...

Aldeias Históricas de Portugal

06 e 07 de abril de 2024



Itinerário

Sábado, 06 de abril 2024

  • PORTO (Boavista) - Saída 07h00
  • ALMEIDA (ALDEIA HISTÓRICA Visita)
  • CASTELO MENDO (ALDEIA HISTÓRICA Visita)
  • SOITO - Sabugal - Restaurante ZÉ NABEIRO (Almoço -12h00)
  • CASTELO DE SABUGAL - Visita
  • SORTELHA - (ALDEIA HISTÓRICA - Visita)
  • BELMONTE - Visita (castelo, sinagoga, casa Alvares Cabral)
  • COVILHÃ - Alojamento e Jantar (20h00) no Hotel SOLNEVE

Domingo, 07 de abril de 2024

  • Pequeno Almoço no Hotel (saída em hora a combinar)
  • CASTELO NOVO (ALDEIA HISTÓRICA - Visita)
  • MONSANTO (ALDEIA HISTÓRICA - Visita)
  • PENHA GARCIA (Almoço - Restaurante O RAIANO - 12h30)
  • Saída em hora a combinar com destino a VISEU - Lanche 17h30
  • Chegada ao PORTO (cerca das 21h00)

Aldeias Históricas de Portugal


Aldeias Históricas de Portugal é uma Associação de Desenvolvimento Turístico, de direito privado e sem fins lucrativos. 
Tem como objetivo promover o desenvolvimento turístico da Rede Aldeias Históricas de Portugal, da qual fazem parte Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso. 
Para visitar as 12 Aldeias Históricas serão precisos pelo menos quatro dias para disfrutar das calçadas medievais e descobrir por si próprio o que escondem, são pequenos locais, onde nada lhe vai escapar, localizadas no interior Centro de Portugal.

Almeida

Esta vila medieval é mais bonita vista do ar, já que as muralhas que a rodeiam parecem uma estrela de doze pontas. Em terra, é possível percorrê-las a pé, seguindo as pisadas dos soldados que aí lutaram durante as Guerras da Restauração e as Invasões Francesas.

Almeida terá tido origem na migração dos habitantes de um castro lusitano, localizado a Norte do lugar do Enxido da Sarça, ocupado em 61 a.C. pelos Romanos, e depois pelos povos bárbaros. Dada a sua situação em planalto, os Árabes chamaram-na Al-Mêda (a Mesa), Talmeyda ou Almeydan, tendo construído um pequeno Castelo (séc. VIII- IX).

No período da Reconquista, os Cristãos tomaram-na definitivamente em 1190 e foi sucessivamente disputada a Leão, passando à posse portuguesa com o Tratado de Alcanizes em 1297.

Recebeu foral de D. Dinis (1296), que reconstruiu o Castelo, e foral novo de D. Manuel (1510). Junto ao Castelo de planta retangular e quatro torres circulares, cresceu o núcleo medieval limitado pelas muralhas, cujo vestígio se vê na Porta do Sol, traçado que a Rua dos Combatentes acompanha e que define o velho burgo. No Castelo havia a primitiva Igreja Matriz.

A explosão do Revelim do Paiol, em 1810, motivada pelas invasões francesas, arrasou grande parte da vila, sendo esta igreja transferida para a do Convento de N. Sra. do Loreto - que apresenta um portal barroco - tomando o nome de N. Sra. das Candeias, cuja procissão se realiza a 2 de Fevereiro. A religiosidade popular está também assinalada nos passos da via-sacra.

A importância desta praça defensiva levou à expansão urbana e institucional sendo dignos de nota os edifícios do antigo Quartel de Artilharia, Vedoria, Tribunal, bem como a Igreja e Hospital da Misericórdia, de portal clórico - exemplos da arquitetura seiscentista.

A sua qualidade de praça-forte marcou também o próprio urbanismo, com quarteirões destinados a alojar os militares, como o caso do antigo quartel de Cavalaria. De realçar, o Quartel das Esquadras, edificado em 1762/69 (em frente do qual se fazia a parada militar, zona hoje ajardinada), e a célebre Casa da Roda - instituição criada por Pina Manique em 1783, para recolhimento das crianças expostas. No lugar da Roda encontra-se uma janela.

A Praça Forte de Almeida (séc. XVII/XVIII), perfeito exemplar da arquitetura militar barroca, é uma fortaleza abaluartada com traçado hexagonal em estrela, ao estilo do engenheiro francês Antoine Deville. O acesso faz-se pelas portas duplas em túnel abobadado. Dispõe de seis baluartes, com suas casamatas - galerias subterrâneas onde a população se recolhia em caso de perigo e que também serviram de prisões miguelistas - e revelins, com fossos de profundidade média de 12 m, onde se construiu também um Hospital de Sangue, e se localiza o Museu Militar.

Durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763) Almeida voltou à posse de Espanha, tendo retomado ao domínio Português em 1763.

Nas lutas liberais tomou partido por D. Miguel entre 1829 e 1832, acabando por capitular após duras lutas fratricidas, que de novo destruíram as muralhas - reconstruídas a partir de 1853. Em 1927 saiu de Almeida o último Esquadrão de Cavalaria perdendo, desde então, a atividade militar que, durante séculos, foi a razão essencial da sua existência.




Castelo Mendo

As muralhas medievais em redor desta aldeia protegem as ruínas de um castelo e escondem casas simples e ruas estreitas onde ninguém caminhava na altura em que a visitámos, o que não deixa de ser irónico se pensarmos que foi aqui que se realizou a primeira feira em Portugal, no tempo de D. Dinis. Apesar de penosamente deserta, ou talvez por isso, é uma das aldeias históricas mais genuínas de Portugal.

Os dois recintos muralhados de Castelo Mendo são um conjunto de máximo interesse histórico e patrimonial. Testemunham a atenção dada pela coroa portuguesa àquele que foi lugar estratégico frente a Leão, pelo menos, até à assinatura do Tratado de Alcanizes, a 12 de Setembro de 1297, integrando uma linha activa de defesa do reino, articulada com Sortelha, Vila do Touro e Pinhel. 

Até então, a fronteira entre os reinos de Leão e Portugal era definida pelo vale do rio Côa, estando Castelo Mendo situada em frente a Castelo Bom (fortaleza leonesa até 1297), funcionando como guardiã de uma das passagens do Côa, conhecida como Porto de São Miguel, vau de raízes ancestrais. 

São também antigas as origens desta Aldeia Histórica, pois aqui se conservam alguns vestígios de um possível povoado da Idade do Ferro, aos quais devem pertencer os dois berrões (ou berracos) que protegem a sua entrada principal. Estas duas estátuas, zoomorfas, representam porcos, ou javalis, e estão associadas aos vetões, povo que habitava esta região em época pré-romana, e que estendia o seu território até Ávila. Não é clara a função destas esculturas, mas tendo sido uma comunidade com forte componente pastoril seriam monumentos associados à delimitação territorial, ou como em outros povoados desta região, importantes símbolos colocados nos acessos aos núcleos habitacionais. 

Pouco se sabe sobre esse antigo povoado e a sua evolução, ainda que alguns achados sugiram a permanência ininterrupta de uma pequena comunidade desde a Idade do Ferro, passando pelo período romano, e mantendo-se na Alta Idade Média. Mas será no final deste último período que esta comunidade assumiu especial relevância, atestada pela ampliação da área amuralhada, que num breve espaço de tempo chegou a albergar 3 paróquias distintas. 

A muralha, mais antiga, com aparelho não siglado, está implantada numa cota mais elevada e integra a Igreja de St.ª Maria. A igreja, hoje em ruínas, ainda conserva frescos numa capela lateral e um relevante tecto com trabalho de alfarge, mudéjar, de período quinhentista. No ângulo sul desta primeira muralha estava o castelo, do qual ainda se conserva a porta de arco perfeito que o separava do casario civil. 

A poente sobrevivem as ruínas da Torre de Menagem que, nos desenhos quinhentistas de Duarte de Armas, ainda era representada com telhado e merlões. Junto a ela uma cisterna recolhia e conservava, as águas pluviais. 

Nesta primeira muralha sobrevive, a sudeste, a Porta da Traição, ou Falsa, como a designou Duarte de Armas. A fundação deste primeiro castelo recuará aos finais do século XII, portanto, anterior a D. Sancho II, monarca que lhe atribuiu o primeiro foral. 

De facto, Castro Menendi é a designação que consta no selo que autentica o documento mais antigo referente a Castelo Mendo e que remonta a 1202, prova do seu muito antigo poder concelhio. 

O foral concedido por D. Sancho II, a 15 de Março 1229, deixa entrever a existência, no local, de um castelo e de um burgo que se desenvolvia para Norte, à volta da Igreja de S. Pedro. Como incentivo à fixação populacional D. Sancho II instituiu um mercado semanal, aos domingos no interior do castelo, e uma feira realizada três vezes ao ano, com uma duração de oito dias, sendo esta uma das mais antigas feiras medievais do nosso país. 

O rápido desenvolvimento do arrabalde levou a que, nos inícios do século XIV, a então vila de Castelo Mendo fosse dotada de uma segunda linha de muralhas, mais ampla, funcionando como defesa do casario que se tinha aglutinado em torno da Igreja de S. Pedro. Obra do reinado de D. Dinis, a segunda muralha apresenta várias características góticas: o aparelho siglado, os torreões quadrangulares dos quais se conservam oito, e um maior número de portas. 

Nesta muralha de D. Dinis identificam-se quatro portas, sendo a principal a Porta da Vila, protegida por dois torreões, secundada pela Porta da Guarda, pela Porta do Sol, que dá acesso à calçada que descia ao Porto de São Miguel e por uma quarta porta, sem nome conhecido, entaipada desde o século XVI. 

Nesse mesmo século já tinha sido construída uma nova igreja, a de S. Vicente, junto à Porta da Vila. A 1 de Junho de 1510 D. Manuel I deu Foral Novo a Castelo Mendo sendo a vila dotada de um pelourinho, erguido junto da Igreja de S. Vicente, uma Casa da Câmara e respectiva prisão. 

São décadas nas quais a população já minguara e a relevância estratégica do burgo esvanecia, ainda que, mantendo o seu estatuto concelhio até 1855. A aldeia histórica de Castelo Mendo foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984.




Sortelha

É uma das aldeias mais antigas do país, do tempo de D. Sancho II, o quarto rei de Portugal. Vale a pena subir às muralhas que rodeiam a zona histórica, onde um castelo vigia as casas e as calçadas de granito.

Vila fronteiriça de fundação medieval, com foral concedido em 1228, Sortelha só perderá no século XIX este estatuto concelhio com a reorganização administrativa feita pelo estado liberal.

Referida na documentação mais antiga como Pena Sortelha, o seu castelo roqueiro terá sido construído nos inícios do séc. XIII, formando uma pequena cidadela de 670m2 acessível, desde o exterior, por um postigo, virado para sul, conhecido como Porta da Traição. O castelo foi reforçado por uma Torre de Menagem, autónoma, comum nos castelos românicos mais antigos. A construção da cintura de muralhas que rodeou a vila recuará a meados do século XIII, ou seja, em momento anterior ao castelo, assentando entre os barrocos e escarpas, prescindindo de torres. O acesso ao adarve era realizado por escadarias construídas com lajes salientes funcionando, quase todas elas, em sentido sinistrorso (para a esquerda).

Como é comum nos castelos medievais são escassas as portas na muralha de Sortelha, pois eram estas os pontos débeis na defesa. A nascente temos a Porta da Vila, reconstruída em fase posterior, no alçado interior da qual são visíveis numerosas siglas esculpidas nos silhares. São elas as marcas de canteiro, muito comuns durante os séculos XIII e XIV. Nessa época, os pedreiros eram renumerados à peça, e não ao dia, sendo estas marcas uma forma de contabilizar o seu trabalho. No lado oposto da muralha abre a Porta Nova, também chamada do Sol, ou da Covilhã. E alguns metros a norte dela a, assim chamada, Porta Falsa, que não o é, porque as portas falsas conduziam a becos sem saída. Na ombreira direita da Porta Nova estão esculpidas duas medidas padrão: o côvado (67 cm/3palmos) e a vara (110 cm/5palmos) que serviam para estandardizar as medidas dos panos vendidos na feira. No século XIV é construída a Torre do Facho, no lado ocidental da muralha, para melhor proteger as Portas (Nova e Falsa) aí existentes e controlar as terras em direcção à Covilhã. O seu nome deriva dos fachos que no seu topo se queimavam para através de sinais de fumo, se comunicar com os outros castelos.

O casario que hoje visitamos no interior das muralhas é um dos núcleos mais bem conservados do nosso país e preserva a traça de casas, e ruelas, da Sortelha quinhentista. Nessa centúria, muitas das casas foram ampliadas, com mais um piso, e algumas com os aros de portas e janelas de vértices biselados, enquanto outras aplicaram lintéis decorados com um arco canopial (arco apontado, formado por duas curvas convexas e duas côncavas) como aquele de uma das janelas no início da Rua da Fonte. São também comuns em Sortelha as mísulas laterais, que serviriam para colocar vasos de flores. Uma rua principal une ambas as portas nascente e poente, a chamada Rua Direita, que não sendo direita é directa entre ambas saídas. Algumas destas casas serão ampliadas durante o séc. XVI e XVII com a construção de escadarias exteriores, uma ou outra, alpendradas, que conduziam a um segundo piso, em contraste com a habitação medieval, maioritariamente térrea. Se entrarmos pela Porta da Vila encontramos uma dessas casas de alpendre, a Casa Um, virada para o Largo do Corro. Neste primeiro largo um centenário lodão (Celtis australis) saúda o visitante, enquanto ao fundo do largo ainda sobrevive uma fonte de mergulho, medieval, mas actualmente fechada. Mais acima, a Casa da Câmara é uma construção sóbria do século XVI, enquadrada num largo, que dá acesso ao Castelo e onde se implantou, no mesmo século, o pelourinho. Se atravessarmos Sortelha e sairmos pela Porta Nova encontramos os vestígios da calçada medieval e as ruínas da Igreja da Misericórdia. Também conhecida por Igreja de Santa Rita ou de São João, foi construída nos inícios do século XIV. A ela se encontra associada uma extensa necrópole (cemitério) da qual são visíveis algumas das 133 sepulturas escavadas na rocha identificadas. Ali perto está a capela de Santiago, de construção quinhentista, originalmente com porta para o caminho, mas na actualidade, apenas acessível pelo cemitério.

Entre as singelas casas de arquitectura popular destacam-se algumas habitações por na sua fachada exibirem pormenores, mais cuidados, correspondendo a uma singular identidade social do seu dono, entre elas: a Casa do Escrivão, a Casa do Pároco, a Casa do Governador e a Casa do Juiz.




Belmonte

Apesar de integrada na rede das Aldeias Históricas de Portugal, não tem o ambiente intimista e aconchegante das anteriores. A sua importância advém de aí ter nascido Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobriu o Brasil, e de nela se ter fixado a primeira comunidade judaica do país, no séc. XV. Nas ruínas do antigo castelo, sobressai uma elegante janela manuelina, onde estão representados a esfera armilar, símbolo das descobertas marítimas, e o brasão dos Cabrais, onde figuram duas cabras. Nos arredores, destaca-se uma invulgar torre romana.

A história de Belmonte surge, normalmente, associada à história dos Cabrais e dos Judeus. Foi terra natal de Pedro Álvares Cabral, o navegador, que no ano de 1500 comandou a segunda armada à India, durante a qual se descobriu oficialmente o Brasil.

A presença humana no atual concelho de Belmonte está comprovada desde as épocas mais remotas. A Anta de Caria, os Castros de Caria e da Chandeirinha certificam a longevidade da fixação na pré e proto-história. A presença romana é também evidente pelos testemunhos da Torre Centum Cellas ou pela Villa da Quinta da Fórnea, pontos de passagem da via que ligava Mérida à Guarda.

Na Idade Média Belmonte surge-nos, primeiramente, ligado à história do concelho da Covilhã, concretamente, no foral concedido em 1186 por D. Sancho I. Mas, em 1199, de acordo com a sua política de povoamento e reforço da defesa fronteiriça, o mesmo rei concedeu foral a Belmonte ficando esta até 1385 sob jurisdição da Covilhã.

No século XIII, a vila encontrava-se já em franco desenvolvimento justificando a existência de duas Igrejas - a de São Tiago e de Santa Maria (perto do velho cemitério, junto ao Castelo) e de uma Sinagoga.

Embora pertencendo à Coroa, o Castelo de Belmonte era administrado por um alcaide local e já desde 1398 que este cargo estava ligado aos Cabrais.
O primeiro alcaide foi Luís Alvares Cabral. Fernão Cabral, pai de Pedro Alvares Cabral, foi o primeiro alcaide-mor. Com ele se iniciou, no século XV, a época de maior destaque do Castelo e de Belmonte. Em 1510 D. Manuel I concedeu a Belmonte nova carta de foral. Nessa altura a comunidade de Belmonte era essencialmente rural, dependente da pecuária e da agricultura. A presença de Judeus favoreceu também a existência de algum comércio.

Na primeira metade do século XVI o Concelho de Belmonte tinha "de termo duas léguas em longo e uma de largura" sendo a vila que na comarca de Castelo Branco tinha a maior densidade populacional em vizinhos a seguir à Atalaia. Em meados do século XVIII a população de Belmonte contava já com cerca de 1416 habitantes.

Em 1811 estava judicialmente anexa a Sortelha (que tinha Juiz de Fora) na Comarca, Provedoria e Diocese de Castelo Branco. E, em 1842 pertencia ao Distrito Administrativo da Guarda.

Com a reforma administrativa de 1855, o Concelho de Belmonte foi alargado pela incorporação de Caria.

Mas a 7 de Dezembro de 1895 este concelho foi extinto, tendo as suas freguesias sido anexadas à Covilhã. Apenas três anos depois foi restaurado o Concelho de Belmonte.





Castelo Novo

O nome desta localidade deve-se ao castelo, construído no século XII, a que foi dado o nome de “novo” por ter substituído um outro que não defendia devidamente o lugar. Das suas torres vê-se a Serra da Gardunha ao redor, assim como belos exemplares de casas senhoriais no interior das muralhas.

Castelo Novo começou por pertencer aos extensos territórios doados pelos monarcas portugueses à Ordem dos Templários, depois Ordem de Cristo, para, em terras da Beira promoverem e assegurarem a posse dos domínios conquistados aos muçulmanos no séc. XIII. Com D. Manuel I, já na centúria de Quinhentos, recebe foral, encontrando-se bem testemunhada a intervenção deste rei no património arquitetónico da antiga vila. A estrutura de ocupação do espaço é assim caracteristicamente medieval, sendo significativas as intervenções do período Manuelino (séc. XVI) e Barroco (séc. XVIII). Constituem disto exemplo, o invulgar conjunto arquitetónico do Largo do Pelourinho: Casa da Câmara e Cadeia e Pelourinho, da época Manuelina; e Chafariz D. João V, do período Barroco.

O Castelo, implantado a 650 m de altitude, constitui um ponto evidente de organização do povoado. Pela encosta da Serra da Gardunha estendeu-se a povoação, desprovida de cerca mas ao abrigo da estrutura fortificada dos Templários.
A antiga vila surge assim inscrita num perímetro de configuração circular, evoluindo a mancha construída para Sul, Este e Oeste. A estrutura urbanística oferece um aspeto labiríntico. A irregularidade dos quarteirões, de dimensões e formas variáveis, as ruas de horizontes limitados, descrevendo traçados sinuosos, as travessas a atalhar caminhos, as escadas públicas a vencer desníveis e os inúmeros recantos e desacertos criados pelo difícil alinhamento das fachadas, são características comuns a outros espaços urbanísticos medievais.

No espaço construído de Castelo Novo dominam, largamente, as edificações destinadas à habitação. A casa tradicional, de granito e sem reboco, apresenta planta retangular com dois pisos, com o térreo destinado à loja e o superior à habitação. O acesso faz-se pelo exterior, através de escadas que terminam em patamar simples ou balcão lajeado.
Exceção nesta paisagem urbana constituem os edifícios de natureza pública e religiosa, bem como a habitação de proprietários mais abastados, distinguindo-se quer pelos materiais utilizados quer pela conceção arquitetónica e investimento decorativo. O Largo da Bica conserva alguns destes exemplos, como as Casas Falcão, Correia Sampaio e D. Luís J. Correia, edificadas, respetivamente, no séc. XVII, XVIII e XIX/XX. Outros testemunhos se encontram pela antiga vila de Castelo Novo, como a Casa da Cerca, presumivelmente do séc. XVI, a Casa na Rua de Nossa Sra. das Graças, do séc. XVII, e o Solar da Família Gamboa, este já da centúria de setecentos. No panorama da arquitetura religiosa salientam-se, naturalmente, a Capela de Santo António, a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz, com datas de construção atribuídas, respetivamente, aos séculos XVI, XVII e XVIII. Excluindo outros edifícios mais evidentes, como o Castelo ou a Casa da Câmara e Cadeia, sobressaem ainda os chafarizes, um deles dando inclusivamente o nome a um largo.


Monsanto

À semelhança de quase todas as outras, esta aldeia foi totalmente construída em pedra
granítica. Por ela passaram romanos, depois visigodos que foram conquistados por mouros, por sua vez conquistados pelo primeiro rei de Portugal que a doou à Ordem dos Templários. A aldeia oferece dos cenários mais interessantes que se podem encontrar em Portugal, tanto em termos arquitetónicos como paisagísticos. A custosa subida a pé até ao castelo, passando por penedos que servem muitas vezes de parede e telhado às casas, é compensada por uma das mais deslumbrantes vistas sobre a região.

Monsanto situa-se a nordeste das Terras de Idanha, aninhada na encosta de uma elevação escarpada - o cabeço de Monsanto (Mons Sanctus) - que irrompe abruptamente na campina e que, no seu ponto mais elevado, atinge 758 metros. Pelas várias vertentes da encosta e no sopé do monte, existem lugarejos dispersos, atestando a deslocação populacional em direção à planície.

Trata-se de um local muito antigo, onde se regista a presença humana desde o paleolítico. Vestígios arqueológicos dão conta de um castro lusitano e da ocupação romana no denominado campo de S. Lourenço, no sopé do monte. Vestígios da permanência visigótica e árabe foram também encontrados.

D. Afonso Henriques conquista Monsanto aos Mouros e em 1165 faz a sua doação à Ordem dos Templários, que sob as ordens de D. Gualdim Pais, mandou edificar o Castelo. O primeiro Foral foi concedido por este rei em 1174, sucessivamente confirmado por D. Sancho I (1190) e D. Afonso II (1217). A D. Sancho I se deve também a repovoação e reedificação da fortaleza, desmantelada nas lutas contra Leão, novamente reparadas um século depois, pelos Templários. D. Dinis deu-lhe Carta de Feira em 1308, a realizar junto da ermida de S. Pedro de Vir-a-Corça. El-Rei D. Manuel I outorgou-lhe Foral Novo (1510) e deu-lhe a categoria de vila. Em meados do séc. XVII, D. Luís de Haro, ministro de Filipe IV, tenta o cerco a Monsanto, sem sucesso. Mais tarde, no início do século XVIII, o Duque de Berwick cerca também Monsanto, mas o exército português, comandado pelo Marquês de Minas, derrotou o invasor nos contrafortes da escarpada elevação.

Em 1758, Monsanto era sede de concelho, privilégio que manteve até 1853. No século XIX, o imponente Castelo medieval de Monsanto foi parcialmente destruído pela explosão acidental do paiol de munições.

Convida-se para uma visita ao que resta do poderoso Castelo na escarpada encosta onde se pode observar a alcáçova, a cintura de muralhas e torres de vigia, bem como as belíssimas ruínas da Capela de S. Miguel do séc. XII, e a Capela de Santa Maria do Castelo.

A gloriosa resistência aos invasores (romanos ou árabes - não se sabe bem) comemora-se na Festa de Santa Cruz, deitando-se das muralhas do castelo simbólicos cântaros com flores, levando as mulheres ao cimo das torres as tradicionais bonecas de trapos - as marafonas.

A Capela de S. Pedro de Vir-à-Corça ou Ver-a-Corça, Imóvel de Interesse Público, situada na base do monte nos arredores da povoação, entre os lugares de Eugénia e Carroqueiro, é um templo românico construído em granito, datando provavelmente do séc. XIII, em que se destaca uma rosácea. Em seu redor se realizava a feira autorizada por D. Dinis em 1308.

A Estação Arqueológica romana de São Lourenço, Imóvel de Interesse Público, situada na Freguesia de Monsanto, corresponde presumivelmente a uma vila romana que integra um complexo termal. São também conhecidos quatro túmulos romanos em granito. Perto do local das ruínas, vê-se também um troço de pavimento.


Outros locais

Soito - Sabugal
Covilhã
Penha Garcia

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